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Publicado em 01 Março 2012

Educação a distância enfrenta fase de transição

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Aluno desenvolve atividades educacionais usando um computador.Modalidade exige interatividade e projetos pedagógicos exclusivos

Responsável por 14,6% das matrículas de graduação no ensino superior do País, segundo dados do Censo da Educação Superior de 2010, chegando a 760 mil alunos, a educação a distância (EaD) passa por uma significativa expansão e marca grandes mudanças na educação brasileira. É o que aborda Claudete Paganucci Rubio, na tese de doutorado em Serviço Social, defendida pela Faculdade de Ciências Humanas e Sociais, do Câmpus de Franca, em 2011.

“Estamos numa fase de transição na educação a distância”, afirma a pesquisadora. “Mas quando se compara o histórico brasileiro em EaD com o de outros países, pode-se perceber o quanto defasado se encontra, apesar do atual desenvolvimento”, ressalta.

No estudo Uma modalidade de ensino na educação: educação a distância, orientado pela professora Djanira Soares de Oliveira Almeida, Claudete enfocou as políticas de atendimento da educação a distância no país e os pilares da transformação social na área da Educação. Para a análise dessas políticas, foram utilizadas como base a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional e a literatura existente sobre o assunto.

Além da investigação histórica da EaD e das mudanças na legislação, Claudete usou o método indutivo com abordagem de investigação qualitativa para compreender o papel dos professores, alunos e funcionários. Como pesquisa de campo, fez um estudo de caso do modelo de Educação a Distância do Centro Universitário Claretiano (CEUCLAR) de Batatais, no interior do Estado de São Paulo.

Foram avaliadas 73 participantes, sendo 6 coordenadores, 28 professores, 31 alunos e 8 funcionários (5 secretários e 3 assistentes de coordenação). Entre os itens analisados estavam a qualidade do ensino, as possibilidades e os impedimentos da modalidade, o perfil dos alunos, o papel social do professor, os impactos da tecnologia na aprendizagem, o modelo de material didático empregado, o incentivo de políticas públicas e as possibilidades e impedimentos no mercado de trabalho.

“A tese que se propõe é a seguinte: a educação a distância, aceita, possibilitada e exigida pela sociedade contemporânea, surge como instrumento de democratização do acesso ao ensino superior, de descentralização de núcleos de excelência em ensino e pesquisa, acesso às novas tecnologias e metodologias educacionais”, afirma Claudete, na pesquisa.

Interatividade

A interatividade nessa modalidade é apontada como ponto crucial para o seu sucesso. Para Claudete, ainda há instituições que optam pelo caminho cômodo de apenas transpor para o virtual, o que já é realizado no ensino presencial. Até as próprias ferramentas dos ambientes virtuais muitas vezes são usadas sem a promoção da interatividade.

Os métodos utilizados pela CEUCLAR, instituição objeto de estudo, foram destacados nos questionários pela importância pedagógica, como os fóruns de interação e discussão e o portfólio de atividades – em que o professor acompanha o estudante com comentários e intervenções, o que, segundo a pesquisa, possibilita que o aluno reorganize os estudos, caso necessário.

Barreira do preconceito

Apesar do ensino a distância ser considerado uma modalidade de aprendizagem democrática, que permite ampliar o acesso ao conhecimento, segundo a pesquisadora, ainda há preconceito no meio acadêmico e no mercado de trabalho. Um dos fatores levantados por opiniões críticas à modalidade é o analfabetismo digital e a dificuldade de acesso às tecnologias de comunicação e informação pela maioria da população.

Claudete aponta no estudo que há ações das próprias universidades e instituições sociais para capacitar os estudantes para o uso das ferramentas virtuais. Além disso, o acesso e o poder de aquisição de equipamentos de informática tem se tornado aumentado para as diferentes classes sociais. “Grande parte das observações contrárias à utilização de modernas tecnologias na educação é feita não por causa da tecnologia em si, mas principalmente pelo uso que dela se faz”, enfatiza.

Para concluir a pesquisadora destaca diversos benefícios do ensino a distância: o aluno consegue conciliar melhor estudo e trabalho; permanece em seu ambiente familiar; tem menores custos; autonomia de horários; e conteúdos desenvolvidos com orientação de aplicabilidade. “Mas há a necessidade das universidades investirem na inclusão desses alunos nos seus demais ambientes de aprendizagem físicos, como bibliotecas físicas e virtuais bem como espaços de pesquisas”, diz.

A equipe de profissionais envolvidos em cursos EaD também devem ser pensadas, segundo a estudiosa, para que seja interdisciplinar. Assim, une áreas técnicas e pedagógicas, não se limita a repetição de padrões e permite uma flexibilidade baseada na interação dos alunos.


Educação a distância na Unesp

Com o crescimento de iniciativas de educação a distância desenvolvidas na Universidade e o constante incentivo dos órgãos governamentais para o aprimoramento dessa modalidade de ensino, foi criado em 2009 o Núcleo de Educação a Distância (NEaD)da Unesp. O NEaD é coordenado pelo professor da Unesp Klaus Schlünzen Júnior.

Elisa Tomoe Moriya Schlünzen, coordenadora pedagógica do NEaD, comenta o crescimento dessa modalidade de ensino na universidade. Ouça no PodCast Unesp.

Clique aqui e saiba mais sobre os cursos a distância oferecidos pela Universidade.


 

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EaD exige dedicação
A pesquisa diz que o perfil dos alunos de cursos a distância é de adultos entre 25 e 60 anos, dado reforçado pelo censo da Abed (Associação Brasileira de Educação a Distância).

“É uma modalidade idealizada para adultos autônomos, disciplinados, que sabem administrar bem o tempo“, registra a tese.

O professor de cursos nessa modalidade também passa a ser mais exigido. “Eles desempenham um papel social com as mesmas responsabilidades de um professor de ensino presencial, mas o trabalho tende a ser maior, uma vez que é um atendimento individual, as correções são feitas de aluno a aluno e as provas são meticulosamente preparadas”, ressalta.

A autonomia cobra um preço. Os dados de evasão, segundo o estudo, podem chegar a 70% em alguns cursos, o que se justifica pela necessidade de mais disciplina, organização e concentração do aluno para estudar em casa.

“Essa é uma das razões da educação a distância atrair um público mais experiente do que o do vestibular de cursos convencionais”, conclui.

 

 Pamela Bianca Gouveia - NEaD 
(texto e foto) 

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