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Publicado em Sábado, 26 Outubro 2013 13:10

Disciplina Libras aborda o estudo das legislações vigentes

Alunos da graduação em Ciências Biológicas da Unesp reunidos em encontro presencial da disciplina Libras na cidade de Botucatu.Conteúdo foi passado por meio de leituras e reflexões coletivas em fóruns de discussão no Ambiente Virtual de Aprendizagem



Conhecer e entender a legislação vigente e os aspectos práticos da Língua Brasileira de Sinais é fundamental para os futuros profissionais da educação e de fonoaudiologia. Com base nisso, os cursos de graduação da Unesp oferecem, nesse semestre, a disciplina “Conteúdos e Didática de Libras” por meio da educação a distância, na qual promovem estudos e debates sobre a temática.

As aulas foram iniciadas com a proposta de leituras e reflexões coletivas em fóruns de discussão do Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA). Em seguida, os discentes puderam vivenciar, por meio de uma atividade prática, como essa legislação é aplicada em escolas públicas do estado de São Paulo.

“A primeira orientação era de que os discentes identificassem em seus municípios escolas comuns que tivessem estudantes surdos incluídos, ou que frequentassem salas de recursos. Caso não encontrassem essas situações, poderiam realizar a pesquisa em instituições especializadas”, explicou a professora Danielle Ap. do Nascimento dos Santos, especialista responsável pela elaboração pedagógica da disciplina e da atividade.

Dessa forma, pretendeu-se que os discentes tivessem um primeiro contato com esse público e pudessem conhecer por meio da experiência de ir até as unidades escolares, qual tem sido a realidade desses estudantes no seu município e se a lei tem sido cumprida.

Segundo a intérprete de Libras da disciplina, Laís dos Santos di Benedetto, a realização desse tipo de vivência é muito importante para a formação dos futuros educadores para que possam ter contato direto com o público alvo de seus estudos e também para que captem experiências de quem já trabalha na área.

“Apesar de discutirmos e ensinarmos a teoria da Libras e a prática dos sinais, a vivência e sala de aula é diferente. Além do mais, com as visitações pode-se verificar as condições de ensino que o aluno surdo tem, bem como a qualidade do intérprete de Libras inserido naquele contexto”, ponderou Benedetto.

Paralelamente ao estudo da legislação vigente, os discentes da Unesp aprendem a Libras com o auxílio de cinco videoconferências. Os conteúdos são abordados por temas e, após o “encontro virtual” com a intérprete, eles têm que realizar exercícios práticos sobre os conteúdos aprendidos e “subir” seus próprios vídeos no AVA para compartilhar com toda a turma os sinais que aprenderam a executar.

Os conteúdos e atividades elaboradas até o momento têm recebido retornos positivos dos alunos inscritos na disciplina Libras. Para o graduando em Física da Unesp de Ilha Solteira, Ulisses de Oliveira, a experiência a distância dentro de um curso presencial tem sido significativa e desafiadora.

“Confesso que a primeira vista achei que seria muito difícil aprender com uma professora distante da sala de aula. Mas as técnicas de abordagens, a maneira como o conteúdo está sendo apresentado, o contato com os colegas no fórum e a videoconferência associada ao fórum de dúvidas nos dá condições de levar a disciplina com tranquilidade e aprendendo de verdade” , relatou Oliveira.

O conhecimento aprendido tem ido além.  Tem gerado reflexões e pensamentos críticos nos discentes da disciplina. É o caso de Anne Caroline Paim Baldoni, que cursa Matemática pela Unesp de Bauru. Ela relatou no fórum de discussões que após participar de uma videoconferência, visitou uma amiga que estuda enfermagem e, nesse encontro, foi questionada sobre “para que” aprender Libras.

“Aquilo me intrigou, pois o curso que ela faz é na área da saúde. Eu pensei: ‘como assim para que’, e perguntei a ela se na Universidade onde estuda não se fala sobre Libras, sobre como trabalhar com surdos ou até mesmo se não tinha um curso rápido sobre a língua. Ela me respondeu que não e que até o momento nenhum professor falou sobre isso.”

A partir da conversa, a graduanda refletiu sobre o papel que a Unesp tem exercido ao oferecer a aprendizagem da língua. “Vejo que a Unesp já deu um grande passo comparado a outras Universidades, e com o privilégio de termos essa disciplina com toda a qualidade dos nossos professores.”

Agora, os discentes se preparam para participarem de um encontro presencial e videoconferência no mês de novembro, onde o conteúdo prático será revisado e uma atividade com música será aplicada.


DISCIPLINA LIBRAS

A Unesp passou a oferecer, em agosto desse ano, aulas de Libras ministradas a distância para cerca de 400 estudantes de diversas graduações como Pedagogia, História, Letras e Matemática. A disciplina tem um semestre de duração e será computada na matriz curricular do curso no qual o discente estiver matriculado. A iniciativa, precursora da Universidade, tem por objetivo atender o Decreto presidencial nº 5626/05, que regulamentou a lei nº 10,436/02, que dispõe como obrigatório o ensino da Língua Brasileira de Sinais (Libras) em cursos de licenciatura. Atende, também, a preocupação em oferecer um processo de formação  aos discentes, em consonância com as orientações para a educação inclusiva.

Acompanhada pela Comissão de Licenciaturas da Pró-Reitoria de Graduação da Unesp (Prograd) com o apoio do Núcleo de Educação a Distância (NEaD) e do Departamento de Estatística da Faculdade de Ciência e Tecnologia de Presidente Prudente (FCT), com a coordenação das professoras Dra. Elisa Tomoe Moriya Schlünzena e Ms. Denise Ivana de Paula Albuquerque, a nova disciplina objetiva o conhecimento da Libras, suas características básicas e práticas; a identificação da diversidade linguística e cultura dos estudantes; a análise da importância de inclusão de pessoas surdas na rede regular de ensino e a construção de propostas práticas que busquem essa inserção.

A iniciativa foi primeiramente formulada como disciplina do curso semipresencial em pedagogia do projeto Unesp/Univesp. Em seguida foi desenvolvida em um projeto piloto para alunos de Geografia do Câmpus Experimental de Ourinhos no primeiro semestre de 2013. A partir dessas experiências, foi avaliada e aprimorada, e agora passou a ser ofertada em outras nove unidades: Araraquara, Assis, Bauru, Botucatu, Franca, Guaratinguetá, Ilha Solteira, Marília e Presidente Prudente.

 

Soraia Marino - NEaD
(Foto: Silvia Nishida)